Já passou aquilo que quase passou ao lado dos portugueses. As eleições presidenciais não vieram trazer nada de novo a este país. Apenas a confirmação daquilo que já todos sabiam desde o início. Vêem aí mais 5 anos de presidência triste e pobre, pelo menos de espírito. Mantendo a tradição, o povo português legitimou aquele que não explicou tudo o que tinha obrigação de explicar, aquele que criou intrigas e mexericos nos últimos 5 anos, aquele que não tem uma posição firme perante os seus ideais, aquele que é o responsável por toda a crise que vivemos atualmente. Foi este senhor que durante o seu reinado enquanto primeiro ministro fez os portugueses ansiarem aquilo que nunca poderíam pagar, fazendo viver acima das possibilidades e nunca como nesse período Portugal recebeu tanto dinheiro da Europa e que tão mal foi investido... E agora como presidente diz ter um rumo para o país... Infelizmente a memória dos portugueses parece curta, mas eu ainda sou jovem e por enquanto não padeço desse mal!
Manuel Alegre que nenhuma alegria trouxe. E porque o tempo muda, esta candidatura ficou aquém das expetativas sendo o grande perdedor destas eleições. Agarrado aos ideiais do 25 de Abril e na luta contra o fascismo, demostrou um discurso passado. Portugal mudou mas Manuel Alegre permanece perdido algures por 1974. Entre dois partidos não pôde adiantar-se muito, fazendo uma campanha que nem amorneceu. Também nunca seria a minha opção. O país está muito doente e não está para poetas. Espero mesmo é que fique por aqui, continuando o seu trabalho como deputado, coisa que tem feito de forma exímia.
Fernando Nobre, a surpresa da noite, para a qual eu contribuí. Desde início que afirmei ser este o meu candidato, uma pessoa fora do sistema político, apelando a cidadania, que para mim é a base de tudo para se viver em sociedade. Alguém que tem um percurso de vida fascinante, independente, livre, sonhador. Porque não quero alguém politicamente correto (este conceito é infudado porque ou se é político, ou se é correto, ambos é impossível), mas sim alguém interventivo que tivesse de fazer o que fosse preciso sem olhar a poderes nem partidos, nem a influências nem dogmas. E com os resultados que obteve provou que é possível acreditar e eu acredito!
Quanto aos outros apenas saliento o José Coelho, que entrou numa brincadeira e terminou num sério aviso ao seu comparsa Alberto João que também já precisava cair do poleiro. Francisco Lopes nada de novo, porque também do comunismo não se vislumbra muito mais e Defensor Moura que quase não saiu de casa para a campanha, colheu uns votos dignos de quem foi o mais agressivo contra Cavaco, trazendo à ribalta aquilo que Cavaco teimava esconder...
E o país continua de pé, com esta mente retrógrada legitimada durante mais 5 anos. Que povo este que tem medo de arriscar, que tem medo de progredir!!!
P.S. 1- Revolta-me os problemas levantados com os cartões de cidadão e os números de eleitor! A comunicação social sempre tão hábil a informar não poderia tê-lo feito com maior antecedência? Apenas no telejornal das 13 e já quase no fim levanta a questão. E à boa maneira portuguesa, os portugueses claro está, deixam tudo para fim, onde tiveram tanto tempo para saber o número de eleitor. Mas claro, culpasse o Sócrates por ter inventado um cartão, que foi uma das melhores coisas que temos, por não funcionar... Mentes pequenas!!!
P.S. 2- Tenho pena que a abstenção tenha sido tanta! Quando temos países no mundo que ainda hoje não são democráticos e quando os nossos pais e avós lutaram tanto para hoje podermos fazê-lo, uma grande parte dos portugueses desinteressa-se por isso! Não é por não ir votar que se luta ou describiliza os políticos, porque acaba por haver sempre um ganhador e muitas vezes injustamente. E depois quem não votou, não tem o direito de vir falar sobre o estado do país, pois em nada contribuiu para o contrário...